Como transformar biomassa em novos produtos, processos e negócios? E como fazer essas alternativas chegarem à indústria de forma competitiva? Essas questões atravessaram os painéis do 4º Workshop Internacional de Inovação em Biomassa, realizado no Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), em Três Lagoas.
As discussões passaram pelo potencial das cadeias florestal e agroindustrial, geração de valor a partir de resíduos, aplicações industriais, transição energética e descarbonização.
Novos usos para a cadeia florestal
Uma das perspectivas veio da Arauco, gigante do setor de celulose que está implantando uma nova fábrica em Inocência. Para Elias Borges dos Santos, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, a cadeia florestal oferece possibilidades que vão além da produção de celulose.
“A floresta serve não só como produtora de biomassa para celulose, mas também para outros produtos que entram nessa cadeia e geram um valor ainda maior. Há subprodutos e coprodutos do processo industrial que podem ser usados na geração de energia ou voltar para a própria produção da floresta como bioinsumos”, explicou.
Elias também destacou que o avanço da bioeconomia passa pela aproximação entre empresas e instituições de pesquisa.
“Temos muito a contribuir em parcerias e projetos cooperativos para desenvolver e resolver problemas que ainda enfrentamos. Esses eventos permitem a interação entre empresas, institutos de pesquisa e universidades e podem gerar projetos que tragam bons resultados para toda a sociedade”, afirmou.
Biomassa para uma indústria de baixo carbono
A Tupy é uma multinacional brasileira do setor de metalurgia, com sede em Joinville, que produz componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica para diversos setores industriais. André Ferraresi, diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, defendeu a importância da competitividade para ampliar o uso da biomassa na indústria.
“A discussão da descarbonização é mais abrangente e, para ganhar escala, requer competitividade. A biomassa e a bioeconomia trazem uma vantagem competitiva muito interessante quando comparadas a outras frentes”, relatou.
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Ferraresi também apresentou exemplos de projetos desenvolvidos em parceria com o ISI Biomassa.
“Temos diferentes frentes de trabalho juntos. Uma delas é o desenvolvimento de como a biomassa pode substituir o coque mineral em fornos de fundição. Mais recentemente, criamos um projeto ligado a um sistema de maior durabilidade para blends com maior teor de biodiesel”, detalhou.
Consultor sênior da Petrobras, José Luiz Zontin trouxe para o debate a perspectiva do setor energético e os desafios para ampliar o uso de fontes renováveis.
“A biomassa, dentro do contexto da transição energética e da produção de biocombustíveis, é a matéria-prima. Garantir matéria-prima com qualidade, sustentabilidade e custo competitivo é fundamental para atingirmos o objetivo de ter uma nova matriz energética competitiva e responsável no futuro”, concluiu.





