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O último dia de aula foi de comemoração entre os alunos e planos para o futuro. “Na verdade, é aproveitar oportunidades que passam. Estando preparado, abraçar e tocar pra frente. Vamos para cima, vamos trabalhar na área”, contou Fabiano Gonçalves, aluno do curso técnico em Eletrotécnica do Senai voltado exclusivamente pessoas com deficiência. Ele e os demais estudantes encerraram na semana passada a formação em Campo Grande, oferecida em parceria com a Energisa. A turma iniciou as atividades em junho de 2024 e cumpriu uma carga horária de 1.200 horas, com conteúdos teóricos e práticos. Siga o canal da Fiems no WhatsApp para mais notícias De acordo com a coordenadora pedagógica de aprendizagem industrial do Senai, Isabella Macari, o curso foi estruturado para garantir o acesso dos estudantes ao aprendizado, respeitando suas diferentes necessidades. “Precisamos ampliar o acesso à qualificação profissional e criar oportunidades para que as pessoas com deficiência possam desenvolver suas habilidades e conquistar espaço no mercado de trabalho. É importante que as empresas reconheçam esse potencial e contribuam para uma inclusão cada vez maior”, destacou. Segundo o professor Lailson de Moura Fé, a formação ofereceu conhecimentos em diferentes segmentos da área elétrica, como instalações prediais e industriais, além de sistemas de distribuição e transmissão de energia. “Foi um desafio, mas conseguimos alcançar resultados muito positivos. Os alunos acompanharam todas as disciplinas e concluíram o curso de forma satisfatória. Essa qualificação será um diferencial importante para que possam ingressar no mercado de trabalho como técnicos em Eletrotécnica”, afirmou. Para a gerente de Recursos Humanos da Energisa Mato Grosso do Sul, Luciana Marteningue, a parceria com o Senai reforça o compromisso da empresa com a diversidade e a inclusão, ao ampliar o acesso de pessoas com deficiência à qualificação profissional em um setor com diferentes oportunidades de atuação. “Nosso objetivo é que esses alunos concluam a formação preparados para os desafios da profissão e possam também encontrar na empresa uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, demonstrar suas competências e construir uma trajetória de crescimento. Afinal, inclusão se faz com respeito, oportunidades e condições para que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial”, disse. Conhecimento que abre portas O sorriso de Guilherme Lemes Andrade traduzia a alegria de concluir o curso. Ele conta que aprendeu sobre eletricidade, motores e pretende continuar estudando. “Tenho algumas vontades, algumas coisas que eu estou planejando fazer. Uma pós em inteligência artificial vai me ajudar bastante também. Com esse conhecimento a mais que eu tive aqui, com o aprendizado que eu tive aqui, eu vou conseguir lá no futuro trabalhar nessa área”, disse. Fabiano Gonçalves, que apresentamos no início dessa reportagem, falou sobre a limitação de força que tem no braço direito, mas não vê isso como impedimento para trabalhar na área elétrica. Ele quer atuar especialmente em instalações prediais. “O Senai tem essa estrutura, né? Então, a gente aproveitou bastante a estrutura física, o corpo de professores. Extraímos o máximo pra poder sair daqui bem qualificados. Eu tinha medo de eletricidade, hoje eu tenho respeito, porque a gente já sabe manuseá-la”, declarou.

A nova edição da coluna MS Sem Fronteiras, assinada pelo diretor de Relações Internacionais do Sistema Fiems, Aurélio Rocha, traz um relato sobre a passagem da missão empresarial da Fiems pela China, realizada em outubro deste ano. No texto, o autor destaca como planejamento de longo prazo, inovação e desenvolvimento tecnológico ajudam a explicar o protagonismo industrial chinês no cenário mundial.

Durante a visita à Canton Fair, em Guangzhou, a comitiva acompanhou de perto soluções em robótica, automação, inteligência artificial e veículos de nova energia, além de participar do Encontro Empresarial Brasil-Guangdong e da assinatura de um protocolo de intenções com a Federação da Indústria e Comércio de Guangdong.

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Na coluna, Aurélio Rocha também analisa a evolução da estratégia industrial chinesa e reforça a importância de aproximar empresários sul-mato-grossenses das transformações que estão redesenhando a economia global. A próxima edição da série abordará a etapa da missão realizada na Coreia do Sul, com foco em educação e inovação.

Leia a coluna na íntegra:

MS Sem Fronteiras: a China do pragmatismo à inovação

Por Aurélio Rocha

“Quem não pensa no que está distante encontrará preocupações bem perto.” A reflexão de Confúcio ajuda a compreender um traço da China contemporânea: sua capacidade de olhar adiante e transformar planejamento em resultados. Foi com essa impressão que retornei da missão do Sistema Fiems a Guangzhou, realizada em outubro de 2026, durante a primeira fase da Canton Fair.

Para compreender a dimensão dessa experiência, é preciso conhecer a feira. Criada em 1957, ainda no governo de Mao Tsé-Tung, a Canton Fair surgiu em um período de isolamento internacional, como instrumento de aproximação comercial com o exterior. Realizada duas vezes por ano, tornou-se uma das maiores vitrines da produção chinesa, um verdadeiro showroom do que a indústria do país é capaz de oferecer ao mundo.

Essa trajetória antecede as reformas de Deng Xiaoping, iniciadas no fim da década de 1970. É dele a frase que se tornou símbolo do pragmatismo chinês: “Não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace ratos.” Mais do que uma provocação, a ideia traduz uma escolha pela eficácia, pela adaptação e pelos resultados.

Esse pragmatismo permanece presente na estratégia industrial do país. Lançado em 2015, durante o governo de Xi Jinping, o Made in China 2025 buscou elevar o padrão tecnológico da manufatura chinesa, com prioridade para robótica, equipamentos avançados e veículos de nova energia. A ambição já não é produzir apenas em grande escala, mas liderar segmentos de maior valor agregado.

Na Canton Fair, pudemos observar essa mudança de perto. O pavilhão de robótica mostrou soluções que aproximam automação e inteligência artificial da rotina industrial. Nos espaços dedicados aos automóveis, chamou a atenção a sofisticação dos veículos e a diversidade de fabricantes chineses, muitos ainda pouco conhecidos no Brasil. A China que encontramos investe em tecnologias próprias e disputa a liderança de novos mercados.

A dimensão empresarial da missão acompanhou essa transformação. Em Guangzhou, realizamos o Encontro Empresarial Brasil–Guangdong e assinamos um protocolo de intenções com a Federação da Indústria e Comércio de Guangdong, ampliando canais de diálogo entre empresas e instituições dos dois lados.

É justamente esse o compromisso do Sistema Fiems: conectar o empresariado de Mato Grosso do Sul ao mundo e às transformações que estão redesenhando a economia. Conhecer novas tecnologias, compreender tendências e estabelecer relações é parte do esforço de tornar nossa indústria mais competitiva e preparada para novas oportunidades.

Na próxima edição quinzenal de MS Sem Fronteiras, o olhar se voltará para a Coreia do Sul, segunda etapa da missão, e para dois pilares que ajudam a explicar seu desenvolvimento: educação e inovação.

(*) Aurélio Rocha Graduado em Administração Pública com formação complementar em Relações Internacionais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). É presidente da Fiems Jovem, do LIDE Mato Grosso do Sul e diretor de Relações Internacionais do Sistema Fiems.