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Em Bonito, painel apresenta MS como exemplo de sucesso e discute oportunidades para a indústria nacional

 

 

Como parte da programação do Fórum Empresarial MS Summit, em Bonito, nesta quinta-feira (28/05), um painel com empresários e autoridades lançou luz sobre as janelas de oportunidade para o Brasil na reconfiguração das cadeias produtivas globais, e os desafios que o país precisa enfrentar para transformar potencial em competitividade. O exemplo bem-sucedido de Mato Grosso do Sul na atração de investimentos também foi apresentado durante as discussões.

O debate envolveu os seguintes painelistas: o presidente da Fiems, Sérgio Longen; o governador do Estado, Eduardo Riedel; a senadora por Mato Grosso do Sul Tereza Cristina (senadora); o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban; e o chairman da Inpasa, José Lopes. A mediação ficou a cargo do diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Fiems, Robson Del Casale.

Ao responder sobre onde estaria o “ponto de virada” para a indústria brasileira, o presidente da CNI defendeu a necessidade de rever as políticas públicas para o setor.

“Felizmente, voltamos a ter pensamento de política industrial. Entendo que tudo passa pela política industrial. Mas tem uma série de coisas a serem feitas no Brasil. Tenho certeza, até mesmo pela necessidade de revisitarmos toda a estrutura do Brasil, que vamos ter de discutir isso seriamente assim que acabarem as eleições. Com o novo governo, quem quer que seja. Vamos ter de se debruçar sobre qual a realidade que se quer, independentemente de ideologia. Só lamento que a gente ainda viva no que eu chamo de crise da maturidade da democracia, do famigerado ‘nós e eles’. A gente tem de expurgar isso da cultura brasileira”.

Convidada a comentar a posição do Brasil no tabuleiro global, a senadora Tereza Cristina afirmou que o país tem oportunidades, mas esbarra na ausência de uma estratégia de Estado, com prioridades claramente definidas. A senadora também listou entraves internos, como dificuldade de crédito, perdas climáticas, elevada carga tributária e insegurança jurídica. Esses fatores, segundo ela, impedem o país de capturar plenamente a demanda global por alimentos e energia.

“O problema é que para nós falta planejamento. Somos, sem dúvida, um país do sonho de muita gente quando o tema é segurança alimentar. O Brasil é o único país hoje que pode aumentar a produção de alimentos e exportar para o mundo todo. Mas o que estamos fazendo? Não temos sensibilidade de entender que o agro passa por um momento complicadíssimo. O Brasil precisa urgentemente pensar em políticas de base e definir quais eixos estratégicos é preciso trabalhar para que isso aconteça. Senão, vamos ficar sempre como um país do futuro, e esse futuro nunca chega. Vamos continuar sendo um país campeão de perder oportunidades”.

Em sua fala, o governador Eduardo Riedel sustentou que o diferencial de Mato Grosso do Sul frente a outros estados do país não se resume a incentivo fiscal, mas vai além e envolve harmonia institucional entre poderes e convergência entre o poder público e a iniciativa privada em torno de uma agenda comum.

“Quando desenhamos a estratégia para Mato Grosso do Sul, colocamos em prática uma política ativa de conversa com setores econômicos de transformação da nossa matriz do agro, que procuramos diversificar. Hoje estamos falando de floresta plantada, de proteína animal, de laranja, de amendoim, todas elas com viés de transformação aqui dentro do Estado. E todos os atores desse processo, desse ecossistema público e privado, irmanados numa mesma diretriz. Não é só a Federação da Indústria, a Federação da Agricultura ou do Comércio. É uma série de representatividades que a gente uniu em torno desses objetivos. Colocando a confiança na base dessa relação para atrair as empresas. Talvez esse seja um dos pontos centrais críticos de sucesso que Mato Grosso do Sul vive hoje”.

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforçou que o momento atual da economia sul-mato-grossense é fruto de um ciclo iniciado em 2007, quando governo e setor produtivo passaram a estruturar um planejamento para a agroindustrialização. Para o líder empresarial, o modelo de parceria implantado em Mato Grosso do Sul pode ser expandido e aproveitado em outras regiões do país.

“Temos trabalhando na mesma linha. É um desafio para nós, líderes classistas, e podemos usar o cenário atual de Mato Grosso do Sul como exemplo. Entendo que, se formos mais propositivos, podemos fazer mais. Fiz questão de convidá-los para que viessem aqui ouvir um pouco sobre o que temos feito aqui e o que podemos levar de diferente para os estados”.

Convidado a falar como investidor, José Lopes relatou a chegada da Inpasa a Mato Grosso do Sul e disse que encontrou apoio e receptividade.

“Cheguei cinco anos atrás e encontrei amigos que me apoiaram bastante. Saí de Mato Grosso e vim entender a realidade local. O governador me ajudou bastante. Fui muito bem recebido por todos. Aqui as coisas acontecem, é um estado diferenciado”.

Para encerrar, os participantes comentaram sobre a Rota Bioceânica e a expectativa de redução de custos e encurtamento de caminho para mercados asiáticos. Longen destacou que o corredor depende de arranjos operacionais e citou a Receita Federal como ponto sensível para garantir fluidez no fluxo de mercadorias entre os países.

Sobre o Fórum Empresarial MS Summit

Durante dois dias, Bonito se torna o centro dos debates sobre os rumos da economia do país com a realização do Fórum Empresarial MS Summit e do encontro das federações de indústrias do Brasil. Empresários, executivos, autoridades e especialistas se reúnem na capital nacional do ecoturismo para tratar dos desafios e oportunidades para a indústria sul-mato-grossense e brasileira.

A programação em Bonito vai até sexta-feira (29/05), com o encontro das federações de indústrias do Brasil.

O evento é realizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), pela CNI e pelo Governo do Estado.