Pesquisa de opinião do PoderData, do site Poder 360, em parceria com o Grupo Bandeirantes, divulgada nesta quinta-feira (17), aponta que o ex-presidente Lula empataria com o presidente Jair Bolsonaro em um eventual segundo turno nas eleições de 2022.
Bolsonaro lidera a corrida eleitoral com 35% das intenções de voto, enquanto que Lula (PT) aparece em segundo lugar, com 21%. No segundo turno, os dois empatam com 41%.
Na pesquisa realizada entre 14 e 16 de setembro, por telefone, o ex-ministro Sergio Moro foi citado por 11% dos entrevistados. Outros 11% afirmaram que iriam votar branco ou nulo.
Em um eventual segundo turno, o ex-juiz teria, segundo a pesquisa, 37% dos votos, contra 40% do atual presidente, o que, pela margem de erro de dois pontos, representaria um empate técnico.
Com base nesses dados, Deysi Cioccari, cientista política e pós-doutora em Comunicação, alerta que “Bolsonaro teria problemas no segundo turno”, mas que deve se reeleger.
Todos os demais prováveis candidatos citados na pesquisa perderiam para o atual presidente em um segundo turno em 2022.
Lula candidato em 2022?
Lula atualmente está inelegível pela Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente foi condenado em dois processos na Lava Jato e tenta na Justiça recuperar seus direitos políticos. Também entrou com processo no Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a suspeição do ex-juiz Sergio Moro.
Se Moro vier a ser considerado parcial pelo STF, a sentença de Lula no caso do triplex poderia ser anulada na mesma decisão. O julgamento ainda não tem data marcada, mas o ministro Gilmar Mendes já afirmou que quer pautar o tema “assim que possível”.
Além de duas condenações (nos casos triplex do Guarujá e sítio de Atibaia), Lula enfrenta ainda duas denúncias da Lava Jato em Curitiba, quatro ações na Justiça Federal do Distrito Federal e uma na Justiça Federal de São Paulo.
Lula tem se comportado como candidato. Em discurso nas redes sociais, por ocasião do 7 de setembro, defendeu minorias, criticou o governo e a atuação na pandemia e falou sobre economia a política externa.
Na próxima segunda-feira (21), o PT vai apresentar seu Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil.
Em 2018, mesmo preso em Curitiba, Lula foi registrado candidato à Presidência da República. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou a candidatura do petista, seu vice, Fernando Haddad (PT), acabou encabeçando a chapa.
“Especulação pura e simples”
A avaliação de Deysi Cioccari, que é professora da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, é de que mencionar Lula em pesquisa é “especulação pura e simples”.
“A esquerda segue cometendo erros se apoiando somente no nome dele. Se na própria pesquisa aparece o nome dele é consequência de um trabalho da esquerda que não soube colocar outro nome na disputa”, critica.
Ela afirma que isso acontece porque Lula é o nome da esquerda mais presente no imaginário social.
“Todos que veem uma alternativa à Bolsonaro lembram naturalmente de Lula, que tem uma plataforma claramente contrária, fruto de recursos de uma rede de relações duráveis e confiáveis com uma parcela da população”.
Cioccari, no entanto, destaca também a quantidade de indecisos na pesquisa para o segundo turno. Esse número gira em torno dos 20% dos entrevistados.
Números
Segundo o levantamento, Haddad teria 38% das intenções de voto, no segundo turno, caso seja o candidato do Partido dos Trabalhadores em 2022, contra 45% de Bolsonaro. Mas com Haddad no lugar de Lula, o petista (10%) empata na segunda posição com Sergio Moro (13%), considerando a margem de erro. Além disso, empata tecnicamente com Ciro Gomes (7%), do PDT, e Luiz Henrique Mandetta (7%), do DEM.
O pedetista, que ficou em terceiro lugar no último pleito, teria 33% contra 48% de Bolsonaro, em um segundo turno em 2022.
Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), teria 4% das intenções de voto no cenário com o ex-presidente Lula e 5%, com Haddad na disputa.
Um dado da pesquisa que chama a atenção é que 32% das pessoas que votariam em Sergio Moro no primeiro turno votariam em Lula no segundo turno. O ex-juiz é o responsável por ter condenado Lula em 1ª instância, decisão que foi chancelada em 2ª instância e que levou o petista à prisão e cassou seus direitos políticos. Outros 35% migrariam o voto para Bolsonaro.
Foram entrevistadas 2.500 pessoas, de 459 municípios, nas 27 unidades da Federação.





