“Até chorei de emoção!”. Essa afirmação é do auxiliar administrativo, Leonardo Borges Ladislau, de 27 anos, ao recordar do dia em que soube que ganhará uma prótese biônica desenvolvida em Mato Grosso do Sul.
Leonardo perdeu o braço esquerdo há sete anos, em um acidente moto. À época, ele ainda cogitou comprar uma prótese e até iniciou a fase de adaptação, antes de adquiri-la, mas quando soube do preço desistiu. Segundo ele, naquele tempo a prótese custava cerca de R$ 230 mil, e vinha da Alemanha. “Também me ofereceram a prótese ‘estética’, sem nenhuma funcionalidade e decidi não ter”, recordou.
Nesses sete anos, Leonardo teve que adaptar sua vida, sem uma das mãos, criando seus dois filhos. Quando soube da possibilidade de ganhar a prótese, o sonho de ter de volta o movimento das mãos veio à tona e ele não vê a hora de ganhar o aparelho. “A prótese biônica será importante para me ajudar com os objetos que vou conseguir pegar, me ajudará a ter mais mobilidade, pois vou estar com as duas mãos novamente. Sofro também com a falta do equilíbrio do corpo por conta da falta do membro”, pontua.

Gilson ganhou uma prótese de perna e o sonho era também ter as das duas mãos. Sonho que agora se tornará realidade. “Já tenho a pratica de fazer tudo com as duas mãos desde criança, mas vou ter que aprender usar a prótese das mãos como se fosse criança. Para minha vida vai ser muito importante conseguir usar pra fazer atividades diárias como pegar uma colher, um copo”, relatou.
Leonardo e Gilson foram selecionados para o estudo da prótese biônica de mão produzidas no Estado pela Tec Project Engenharia LTDA para ser comercializada com preço bem menor do que o oferecido no mercado. O projeto foi escolhido na primeira edição do Programa Centelha, em Mato Grosso do Sul.


A ideia surgiu a partir da tese de doutorado do estudante Thiago Lopes Quevedo. “Fiz o projeto com uma série de avaliações e treinamentos, e de forma muito feliz fomos contemplados e começamos a implantar a empresa. Inicialmente iriamos usar o laboratório da Universidade Federal do Paraná, mas com a pandemia, foi preciso nos adaptar, o que nos levou a montar a estrutura em Campo Grande, para a prótese ser produzida aqui”, disse.
Thiago ressalta que, mesmo com o advento da pandemia, vai conseguir manter o baixo custo da prótese, por usar da tecnologia nacional para a produção. A ideia é que ela custe, em média, R$ 10 mil. Em uma pesquisa rápida na internet é possível ver valores acima de R$ 150 no mercado. “Geralmente as pessoas que precisam dessa prótese biônica são pessoas de baixa renda e fica completamente inviável no preço de mercado”, disse.

No início, apenas dez pessoas foram escolhidas para participar dos testes e ganhar a prótese, como é o caso do Leonardo e do Gilson, mas a intuito de Thiago é ampliar essa doação. “A ideia não é ficar rico ou algo do tipo, mas sim trazer o bem estar. O projeto vem do doutorado de uma universidade pública e a gente vê a necessidade de retribuição. O Centelha é um recurso do Estado, então é necessária essa devolução para a sociedade”, disparou.
A prótese está em fase desenvolvimento e já existe um protótipo inicial onde são realizados os testes. Segundo Thiago, o modelo final está sendo montado para que dentro de um mês sejam iniciados os testes com o usuário.
Centelha
Com o objetivo de estimular a criação de empreendimentos inovadores com potencial de mercado, a partir da geração de novas ideias que tragam benefícios para a região, o Programa Centelha está em sua segunda edição. Diferente da primeira edição que selecionou 30 projetos, dentre eles o de Thiago, o programa vai selecionar, este ano, 50 projetos inovadores e o investimento será de aproximadamente R$ 3 milhões.
O programa é fruto de uma parceria entre Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI); Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Fundação Certi, e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semagro e Fundect e recebe inscrições até o dia 10 de março de 2022, por meio do site, clicando neste link.





